Aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance
A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance foi concluída em 6 de outubro de 2026, por US$ 31 por ação, numa operação que avaliou a empresa em US$ 110,9 bilhões, incluindo dívidas. A companhia resultante recebeu o nome de Skydance Corporation. O financiamento veio da família Ellison, da RedBird Capital Partners e de fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, cujas participações não davam direito a voto.[1]
A Warner Bros. Discovery, ou WBD, pretendia separar seus ativos de televisão linear, menos rentáveis, dos estúdios Warner Bros., da HBO e do HBO Max. Após receber propostas não solicitadas da Paramount para comprar toda a companhia, o conselho de administração abriu um leilão. Em dezembro de 2025, aceitou inicialmente uma oferta de US$ 82,7 bilhões da Netflix pelos estúdios e pelas operações de streaming. A Paramount continuou a apresentar propostas em 2026, alegando que oferecia maior retorno aos acionistas, escala para competir com as grandes empresas de tecnologia e menos obstáculos concorrenciais do que a Netflix, sem abandonar os lançamentos em cinemas. Seu diretor executivo, David Ellison, prometeu pelo menos 30 filmes por ano e autonomia criativa para divisões como a HBO.[2][3]
Em 23 de abril de 2026, os acionistas da WBD aprovaram a oferta revisada de US$ 31 por ação. A Paramount assumiu a multa de rescisão devida à Netflix e comprometeu-se a pagar aos acionistas uma compensação caso a compra ultrapassasse o prazo contratado. Profissionais da indústria cinematográfica manifestaram receio de cortes de empregos, redução de concorrência nos cinemas e na televisão por assinatura e interferência na CNN, em razão da proximidade da família Ellison com o governo Trump. A Comissão Europeia exigiu a saída da Paramount da United International Pictures, distribuidora que mantinha com a Universal Pictures. O Reino Unido exigiu autonomia editorial das operações de notícias e programação infantil e proibiu a integração dos serviços lineares e sob demanda por cinco anos.[4][5]
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a operação em 12 de junho de 2026, mas a Califórnia e outros 11 estados entraram com uma ação federal para impedi-la. A Paramount negociou um acordo judicial de cinco anos, com obrigações de investimento na produção e aquisição de filmes, restrições às negociações com exibidores e operadoras de televisão e um conselho independente para acompanhar a autonomia editorial da CBS News e da CNN. O acordo recebeu críticas quanto à capacidade de evitar os danos apontados na ação, mas foi aprovado pelo tribunal em 30 de setembro. A aquisição foi concluída em 6 de outubro.[6][7][1]
A Skydance passou a ser dirigida por Ellison e Ynon Kreiz, ex-diretor executivo da Mattel. Reuniu dois dos grandes estúdios de cinema, Paramount Pictures e Warner Bros. Pictures, além da DC Entertainment, dos serviços HBO Max, Paramount+, Philo e Pluto TV e dos estúdios CBS Studios, Paramount Television Studios e Warner Bros. Television Group. A carteira de canais compreendia a CBS, as marcas da antiga Turner Broadcasting System, como TBS, TNT, CNN e Adult Swim, e as da Discovery Inc., como Discovery Channel, HGTV e Food Network. Também reuniu Black Entertainment Television, Comedy Central, MTV, Paramount Network, Cartoon Network, Nickelodeon, HBO, Showtime, canais internacionais e as divisões CBS Sports e TNT Sports.[8]
Antecedentes
A WBD foi criada em 8 de abril de 2022, quando a AT&T se desfez da WarnerMedia e esta se fundiu com a Discovery Inc., por meio de uma operação de Reverse Morris Trust.[9][10] Os executivos da Discovery assumiram a direção da nova empresa. A AT&T deixou de ter participação direta, enquanto seus acionistas receberam 71% das ações da companhia resultante.[11] A AT&T havia comprado a Time Warner e a DirecTV para ampliar seus negócios no entretenimento,[12] mas recuou após perdas e economias menores do que esperava obter com a integração.[13] A WBD começou com uma dívida superior a US$ 43 bilhões, e suas ações perderam mais de 60% do valor até o início de 2025.[14] Para reduzir a dívida, reorganizou a empresa, realizou baixas contábeis para fins fiscais que provocaram controvérsia e retirou dezenas de filmes e programas do HBO Max.[15][16] Os canais de televisão por assinatura continuaram menos rentáveis do que as operações de streaming e os estúdios.[17]
Em 12 de dezembro de 2024, a WBD reorganizou suas operações nas divisões Streaming & Studios e Global Linear Networks. O presidente e diretor executivo David Zaslav afirmou que a estrutura daria flexibilidade para aproveitar oportunidades estratégicas.[18][19] Em 9 de junho de 2025, a empresa anunciou que pretendia se dividir em duas companhias até meados de 2026. A divisão de estúdios e streaming ficaria na Warner Bros., enquanto os canais lineares formariam a Discovery Global.[20][21][22] Anna Nicolaou, James Fontanella-Kahn e Daniel Thomas, do Financial Times, interpretaram a separação como reconhecimento de que a fusão de 2022 não havia dado o resultado esperado e como uma forma de tornar a Warner Bros. mais atraente para compradores que não desejassem adquirir os canais de televisão.[23]
Disputa inicial pela aquisição
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Em setembro de 2025, David Ellison reuniu o conselho da Paramount Skydance para discutir a compra da WBD, com a intenção de competir com Amazon, Disney e Netflix. Dias depois, encontrou Zaslav em sua casa e propôs US$ 19 por ação, em dinheiro e ações. Uma carta formalizou a oferta, com 60% do pagamento em dinheiro. Ainda em setembro, a Paramount elevou a proposta para US$ 22 por ação, com 67% em dinheiro, uma multa de US$ 2 bilhões se a operação não obtivesse aprovação regulatória e a permanência de Zaslav como copresidente do conselho e codiretor executivo. Em 13 de outubro, apresentou uma terceira oferta, de US$ 23,50 por ação, com 80% em dinheiro. A WBD recusou as três propostas.[24]
As negociações sobre uma possível venda se intensificaram em outubro,[25] e a WBD anunciou que avaliaria alternativas à divisão em duas empresas, depois de receber manifestações de interesse de possíveis compradores.[26]
Na primeira rodada de propostas não vinculantes, em 20 de novembro de 2025, a Paramount ofereceu US$ 25,50 por ação pela companhia inteira. Netflix e Comcast disputaram os estúdios e a propriedade intelectual da Warner Bros., a HBO e o HBO Max. A Starz ofereceu US$ 25 bilhões pela divisão Global Linear Networks e por 20% da Streaming & Studios.[27][28] Após o encerramento do leilão, em dezembro, acionistas da WBD procuraram a Standard General para discutir uma possível compra dos canais lineares.[29]
A WBD abriu uma segunda rodada, com propostas vinculantes apresentadas em 1 de dezembro por Netflix, Paramount e Comcast. A Paramount ofereceu US$ 26,50 por ação, integralmente em dinheiro, pela empresa inteira.[30]
Perto da decisão final, a Paramount enviou uma carta a Zaslav acusando o processo de favorecer a Netflix e de ter um resultado predeterminado. Alegou conflitos de interesse pela amizade entre Zaslav e Ted Sarandos, codiretor executivo da Netflix, e questionou a imparcialidade do leilão.[31][32]
Acordo com a Netflix
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Uma pesquisa publicada em junho de 2026 apontou que 23% dos consumidores preferiam um pacote de Paramount+ e HBO Max à contratação separada dos serviços.[33]
Em 5 de dezembro de 2025, a Netflix entrou em negociações exclusivas pelos estúdios e pelas operações de streaming da WBD, apesar da oposição da Paramount. O acordo anunciado pouco depois avaliava os ativos em US$ 82,7 bilhões, incluindo dívidas, com US$ 72 bilhões correspondentes ao valor das ações e um preço de US$ 27,75 por ação da Warner Bros. após a separação.[2][34] A Netflix também obteve um compromisso de financiamento de US$ 59 bilhões de Wells Fargo, HSBC e BNP Paribas.[35] A proposta alterava a estratégia de crescimento da Netflix, até então centrada na construção de seus próprios negócios, e surpreendeu analistas que não esperavam sua participação no leilão.[36] Uma estimativa atribuía à combinação Netflix e Warner Bros. 30,3% do mercado norte-americano de streaming.[37]
O Writers Guild of America e o Sindicato dos Diretores da América se opuseram ao acordo. Argumentaram que reunir o catálogo da WBD e a plataforma da Netflix concentraria a produção, a distribuição e as decisões de lançamento numa só empresa, diminuindo a concorrência, a diversidade criativa e as oportunidades para os profissionais do setor.[38][39][40][41] O SAG-AFTRA reservou sua posição até examinar a proposta e afirmou que qualquer fusão deveria ampliar a produção e proteger os empregos.[42]
A Cinema United, associação de exibidores dos Estados Unidos, receava que a Netflix deixasse de lançar os filmes da Warner Bros. nos cinemas, com uma possível perda equivalente a 25% da bilheteria nacional.[43][44][45] O Committee for the First Amendment criticou a concentração empresarial e seus possíveis efeitos sobre o entretenimento, a democracia e a liberdade de expressão. Pediu que os reguladores não condicionassem sua decisão a concessões políticas capazes de interferir no conteúdo das produções.[46][47][48]
Em 8 de dezembro, a Paramount lançou uma oferta hostil de US$ 30 por ação, totalmente em dinheiro, que avaliava a WBD em US$ 108,4 bilhões, incluindo dívidas. A proposta tinha o apoio financeiro da família Ellison e da RedBird Capital e compromissos de empréstimo de bancos. A Paramount argumentou que a combinação seria mais competitiva do que as alternativas em discussão.[49][50] O conselho da WBD anunciou que examinaria a oferta conforme suas obrigações fiduciárias e os acordos em vigor.[51][52] A preferência pelo acordo com a Netflix, por suas condições financeiras e maior certeza de conclusão, foi antecipada pela imprensa.[53][54] O conselho recusou a proposta e recomendou a rejeição aos acionistas. A Paramount manteve a intenção de comprar a empresa.[55][56][57] A Affinity Partners retirou-se do grupo que financiaria a oferta.[58][59][60]
A Paramount alegou que sua proposta enfrentaria menos obstáculos regulatórios, afirmando que Netflix e HBO Max reuniriam cerca de 43% dos assinantes mundiais de vídeo sob demanda por assinatura. Acusou a Netflix de subestimar sua posição no mercado ao incluir Facebook, TikTok e YouTube entre os concorrentes, critério que considerava incompatível com a atuação dos órgãos de defesa da concorrência.[61] Também advertiu que a Netflix poderia reduzir os lançamentos nos cinemas,[61] lembrando declarações de seus executivos que questionavam a viabilidade da exibição cinematográfica. A Paramount prometeu ao menos 30 lançamentos por ano nos cinemas caso comprasse a WBD.[62][44]
Ted Sarandos respondeu que a Netflix havia lançado mais de 30 filmes nos cinemas em 2025 e que sua crítica se dirigia às janelas de exibição que considerava pouco convenientes para o público. Boa parte desses lançamentos teve exibição limitada, para cumprir requisitos de premiações, ou consistiu em eventos, como sessões de KPop Demon Hunters com participação do público nas canções e a exibição do episódio final de Stranger Things.[63] Esses eventos não seguiam as janelas convencionais de distribuição.[44] Sarandos afirmou depois que a Warner Bros. manteria sua operação e uma janela de 45 dias nos cinemas, pois gerava bilhões de dólares em receitas que a Netflix não queria pôr em risco.[64][65][66][67]
Após o conselho da WBD reafirmar o acordo com a Netflix, a Paramount recorreu ao Tribunal de Chancelaria de Delaware. Pediu mais informações sobre a avaliação da transação, o valor dos negócios remanescentes de televisão e a análise do preço e dos riscos de sua oferta. Também anunciou que poderia disputar o controle do conselho, apresentando candidatos próprios para obter o apoio dos acionistas.[68][69][70]
Durante o processo, a Paramount solicitou detalhes sobre as avaliações financeiras, as dívidas, as análises dos assessores e os motivos para a preferência pela Netflix.[71] O tribunal recusou seu pedido de tramitação acelerada, permitindo que a WBD continuasse a negociar com a Netflix enquanto a ação seguia o rito ordinário.[72] Em 13 de janeiro de 2026, a imprensa noticiou que a Netflix preparava uma proposta integralmente em dinheiro.[73] A alteração foi formalizada em 20 de janeiro, mantendo o preço de US$ 27,75 por ação.[74]
Em 16 de janeiro de 2026, a Netflix e a WBD receberam uma segunda solicitação formal de informações da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ou DOJ. A solicitação prorrogou o prazo legal de espera até 30 dias após as duas empresas comprovarem seu cumprimento, impedindo a conclusão da compra enquanto essa etapa estivesse pendente.[75][76] Em janeiro, a Paramount também prorrogou o prazo de sua oferta pública.[77]
Acordo com a Paramount Skydance
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A Disney havia liderado a bilheteria em 2025.[78] A discussão concorrencial examinava a posição da Paramount e da Warner na distribuição de filmes e nas negociações com exibidores.[79]
Revisões da oferta
Em 22 de dezembro de 2025, a Paramount revisou a proposta para responder às dúvidas dos investidores sobre o financiamento. Larry Ellison, pai de David Ellison, ofereceu uma garantia pessoal.[80] A WBD informou que avaliaria a mudança e recomendou que os acionistas aguardassem.[81]
Acionistas ainda pediam melhorias.[82] A Harris Associates, detentora de cerca de 4% da WBD por meio dos fundos Oakmark, julgou a oferta melhor, mas insuficiente. O gestor Alex Fitch considerava as propostas semelhantes em valor e apontava os custos de substituir uma transação pela outra. Para ele, a Paramount precisaria oferecer um incentivo maior.[69] Mario Gabelli, fundador e presidente da GAMCO Investors, disse que provavelmente venderia as ações de seus clientes à Paramount.[83] A GAMCO detinha cerca de 5% das ações institucionais da WBD fora dos fundos de índice.[84]
Em 7 de janeiro de 2026, a Pentwater Capital Management, sétima maior acionista da WBD, enviou uma carta ao conselho pedindo uma avaliação mais completa da oferta revisada. Seu diretor executivo, Matt Halbower, afirmou à CNBC que considerava a proposta da Paramount economicamente superior, pelo preço e pelas perspectivas de aprovação regulatória. Questionou as dúvidas sobre o financiamento e afirmou que os investidores tinham recursos para concluir a compra.[85]
Em 16 de janeiro, a secretária britânica de Cultura, Mídia e Esporte, Lisa Nandy, encontrou David Ellison para discutir o cinema e a televisão no Reino Unido.[86] Em 5 de fevereiro, Ellison publicou uma carta aberta aos profissionais britânicos, prometendo mais investimento, lançamentos nos cinemas e a manutenção da HBO como marca separada. Defendeu que a combinação da Paramount com a WBD ampliaria a concorrência e que a compra pela Netflix concentraria excessivamente o mercado, argumento contestado pela Netflix. Citou as operações britânicas da Paramount e prometeu apoiar seus profissionais.[87]
Em 10 de fevereiro, a Paramount acrescentou incentivos à proposta. Ofereceu-se para pagar a multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões devida à Netflix e garantir uma troca de dívida que liberaria a WBD de obrigações com seus credores. Também propôs uma compensação pelo atraso, de aproximadamente US$ 650 milhões por trimestre aos acionistas, se a compra ultrapassasse o prazo acordado.[88][89][90]
Em 11 de fevereiro, a Ancora Holdings, investidora ativista com uma participação avaliada em quase US$ 200 milhões, anunciou que votaria contra o acordo com a Netflix e apoiaria a Paramount. Ameaçou disputar as procurações dos acionistas para substituir o conselho caso este se recusasse a negociar. Considerava o contrato com a Netflix apressado, falho e sujeito a riscos regulatórios, e sustentava que a proposta revisada poderia cumprir os critérios contratuais de uma oferta superior.[91][92]
Retomada das negociações
Em 17 de fevereiro, a WBD reabriu as negociações depois que a Netflix autorizou um período de sete dias para a Paramount apresentar sua oferta final. A WBD informou que a Paramount havia concordado verbalmente em elevar a proposta para pelo menos US$ 31 por ação. No mesmo dia, Ellison escreveu ao senador Cory Booker defendendo que a proposta da Netflix prejudicaria a concorrência e que a Paramount ampliaria a distribuição nos cinemas e no streaming. Não respondeu à maior parte das perguntas sobre seus contatos com o governo Trump ou eventuais mudanças na CNN. Sarandos acusou a Paramount, em entrevista à CNBC, de confundir os acionistas. A Ancora reiterou a ameaça de tentar substituir os conselheiros se sua oferta não fosse devidamente examinada.[93][94][95][96]
A Pentwater Capital também defendeu publicamente a oferta da Paramount, levando em conta o risco regulatório e a certeza de conclusão, e discutiu com a empresa uma possível disputa pelo conselho.[97][98] Em 20 de fevereiro, a Paramount anunciou o encerramento do prazo de espera previsto na Lei Hart-Scott-Rodino e alegou que não havia impedimento legal federal para concluir a compra. A Netflix respondeu que o fim desse prazo não equivalia à aprovação regulatória nem impedia novas investigações.[99]
Em 22 de fevereiro, o DOJ solicitou informações à Netflix e à WBD numa investigação sobre possível monopolização do mercado.[100] No dia seguinte, pessoas ligadas à Paramount disseram à Variety que a nova oferta poderia chegar a US$ 32 por ação.[101]
Saída da Netflix e aprovação dos acionistas
Em 24 de fevereiro, a WBD informou que examinava uma oferta revisada da Paramount com seus assessores jurídicos e financeiros.[102] Dois dias depois, considerou a proposta superior à da Netflix, abrindo um prazo de quatro dias úteis para que esta a melhorasse. O preço oferecido pela Paramount era de US$ 31 por ação.[103][104] A Netflix desistiu de aumentar o valor. Sarandos e Greg Peters declararam que a aquisição já não era financeiramente atraente.[105][106][107]
Em 27 de fevereiro, a Paramount anunciou formalmente o acordo de US$ 31 por ação, que avaliava a WBD em cerca de US$ 110 bilhões. A conclusão era prevista, no mínimo, para o terceiro trimestre de 2026 e dependia das aprovações dos reguladores e dos acionistas.[108] Zaslav estimou, numa comunicação aos funcionários, que o processo poderia levar de seis a dezoito meses.[109] O Wall Street Journal informou que US$ 24 bilhões viriam de fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. Um documento enviado à Comissão Federal de Comunicações, ou FCC, indicava que investidores estrangeiros deteriam 49,5% da Paramount após a compra, sem direito a voto.[110] A empresa também levantaria US$ 44,5 bilhões em dívida garantida para financiar a aquisição e pagar parte das dívidas existentes.[111][112][113]
Numa teleconferência de 2 de março, Ellison afirmou que pretendia ampliar a produção e o alcance da empresa. Confirmou os planos de unir Paramount+ e HBO Max e prometeu autonomia criativa à HBO, que chamou de "joia da coroa".[114][3] A companhia continuaria a licenciar conteúdo e produzir com outras empresas.[114][3]
A votação dos acionistas foi marcada para 23 de abril. A Institutional Shareholder Services recomendou que rejeitassem uma indenização de saída de US$ 886 milhões para Zaslav, que considerou extraordinária.[115] Em 9 de abril, a Paramount concluiu a sindicalização de um empréstimo-ponte e firmou financiamento permanente com 18 credores.[116] Em 15 de abril, Booker promoveu uma audiência sobre os efeitos da compra, com o cineasta David Borenstein, o ator Mark Ruffalo, a advogada Katie Phang, Mara Verheyden-Hilliard, do Partnership for Civil Justice Fund, e Michael Isaac, diretor jurídico do WGA East. Ellison foi convidado, mas não compareceu devido a uma morte na família.[117][118][117][119]
Em 23 de abril, os acionistas aprovaram a venda, mas rejeitaram os pacotes de remuneração de Zaslav e de outros executivos.[4] Zaslav ainda receberia mais de US$ 550 milhões pela venda de suas participações.[120] Ellison receberia US$ 50 milhões em dinheiro e US$ 100 milhões em ações sujeitas a restrições.[121] Em 4 de maio, Ellison reafirmou a previsão de concluir a compra no terceiro trimestre. A Comissão Australiana de Concorrência e Consumo, ou ACCC, iniciou sua análise em maio.[122]
Em 12 de maio, o diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, escreveu ao procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, defendendo que a compra ampliaria os lançamentos nos cinemas e beneficiaria o público. Reiterou a promessa de 30 filmes anuais e uma janela de exibição de pelo menos 45 dias. Afirmou que a Paramount não reuniria os estúdios nem reduziria os lançamentos, como ocorrera após a aquisição da 21st Century Fox pela Disney, e que a proposta considerava o mercado após a pandemia de COVID-19, com grandes serviços de streaming e cinemas em recuperação.[123]
Em 14 de maio, os eurodeputados Nathalie Loiseau, Brando Benifei e Andreas Schwab assinaram, com os deputados norte-americanos Sam Liccardo e Deborah Ross, uma carta prometendo uma análise rigorosa. Advertiam que a compra poderia diminuir a concorrência na produção, no licenciamento, na distribuição e no streaming.[124] A SkyShowtime, sociedade da Paramount com a Comcast, também poderia criar obstáculos, porque o HBO Max operava em quase todos os seus mercados e o contrato da parceria continha cláusulas de não concorrência.[125]
Num almoço após a apresentação da WBD a anunciantes, em 14 de maio, o diretor de receitas Bruce Campbell reconheceu que a empresa enfrentaria um ano de mudanças e disse confiar na equipe. Dade Hayes, do Deadline, contou que um recepcionista se referiu ao encontro como a "Última Ceia".[126] Em 19 de maio, a imprensa noticiou que a compra poderia terminar em meados de julho.[127]
O Comitê Antimonopólio da Ucrânia aprovou a venda em 25 de maio.[128] No dia seguinte, Ellison encontrou representantes do DOJ e reiterou seus planos para os cinemas.[129]
Em 4 de junho, a Discovery Global Holdings, subsidiária da WBD, obteve empréstimos de sete anos para pagar um empréstimo-ponte de US$ 15 bilhões.[130] No dia seguinte, Bonta afirmou que a Califórnia precisava proteger os empregos de Hollywood e que restava pouco tempo para decidir se agiria contra a compra.[131] Em junho, a Paramount também considerou vender canais infantis para responder às preocupações europeias.[132] Numa carta de 5 de junho, divulgada no dia 9, Delrahim respondeu às críticas do sindicato Teamsters, alegando que a operação ampliaria as oportunidades de trabalho e acusando a Netflix de tentar prejudicar a aprovação.[133] Em 9 de junho, a Autoridade de Concorrência e Mercados britânica iniciou uma investigação, com prazo até 7 de agosto.[134]
Em 10 de junho, a ACCC aprovou a compra sem condições adicionais, por considerar improvável uma redução substancial da concorrência na distribuição de filmes para os cinemas australianos.[135] A Paramount informou que havia obtido as autorizações concorrenciais na Arábia Saudita, Ucrânia, Sérvia e Macedônia do Norte e as autorizações de investimento estrangeiro na Alemanha, Eslovênia, Bélgica, Tchéquia, Nova Zelândia, Itália, França e Romênia.[135][6]
Em 12 de junho, a Divisão Antitruste do DOJ aprovou a aquisição.[6] A imprensa noticiou que dirigentes do departamento haviam tomado a decisão sem a participação dos advogados de carreira que defendiam uma investigação mais ampla.[136] Em 30 de junho, Nandy anunciou que o Reino Unido poderia intervir devido à participação de mercado da empresa e à autonomia editorial das divisões de notícias, programação infantil e serviços sob demanda.[137] Em 8 de julho, o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, pediu que a compra fosse adiada por 60 dias e que a Paramount fornecesse documentos. Informou que a empresa não pretendia concluir a operação antes de 22 de julho.[138] Rayfield retirou o pedido depois.[139]
Ação judicial e adiamento
Em 13 de julho, a Califórnia e outros 11 estados ajuizaram uma ação concorrencial no Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia para impedir a aquisição. Argumentaram que a empresa reuniria mais de um quarto das receitas norte-americanas de bilheteria e de televisão por assinatura, o que lhe daria poder para pressionar exibidores e operadoras e aumentar os preços ao consumidor. Também alegaram que as promessas da Paramount não eram juridicamente vinculantes e não impediriam cortes de investimento, perda de qualidade ou aumento de preços.[140][141]
A Paramount prometeu defender-se e acusou os estados de aplicar incorretamente a legislação. Afirmou que bloquear a compra prejudicaria profissionais que já haviam perdido empregos devido às mudanças tecnológicas.[140][141] Em 14 de julho, o WGA abriu uma ação própria, alegando que a redução da concorrência permitiria à empresa diminuir a produção e os salários dos roteiristas.[142]
A primeira audiência da ação dos estados foi marcada para 17 de julho. O processo ficou com a juíza Araceli Martínez-Olguín, depois que a Paramount pediu o afastamento de P. Casey Pitts por seu trabalho anterior como advogado do WGA.[143][144] Em 20 de julho, Martínez-Olguín proibiu temporariamente a conclusão da compra por duas semanas. Considerou provável uma violação da legislação concorrencial, diante da participação que a empresa teria na distribuição de filmes com lançamento amplo.[145][146]
Em 22 de julho, a Comissão Europeia aprovou a operação, entendendo que ela não reduziria substancialmente a concorrência na produção, no licenciamento, na televisão e no streaming. Impôs, porém, condições à United International Pictures, ou UIP, distribuidora da Paramount e da Universal Pictures em 19 países do Espaço Econômico Europeu. A distribuição de filmes da Warner Bros. pela UIP poderia concentrar esses mercados. A Paramount aceitou vender sua participação à Universal em até 13 meses após a compra. Por dez anos, ficaria impedida de firmar acordos de distribuição com a Universal no Espaço Econômico Europeu e de contratar, nesses 19 países, distribuidoras de filmes da Warner que também distribuíssem obras da Universal ou da Disney.[147][148][149][150]
Em 23 de julho, Martínez-Olguín prorrogou a proibição até 17 de agosto.[151] No dia seguinte, a Paramount concordou em não concluir a compra até uma decisão na ação dos estados ou até 1 de junho de 2027, o que ocorresse primeiro.[152][153] O contrato previa, a partir de outubro de 2026, uma compensação de aproximadamente US$ 7 milhões por dia de atraso aos acionistas da WBD.[154][155][156]
Em 1 de agosto, a imprensa noticiou que o gabinete do governador Gavin Newsom havia pedido a Bonta que buscasse um acordo, receando perdas de empregos caso a compra fosse impedida.[157] Em 4 de agosto, a juíza marcou o julgamento para março de 2027.[158] Num artigo de opinião no New York Times, Ellison afirmou que a disputa se concentrava na confiança que merecia como futuro proprietário da CNN. Prometeu independência para as divisões de notícias e disse que um proprietário não deveria interferir na cobertura, sobretudo em assuntos da própria empresa.[159] Zaslav declarou, numa apresentação de resultados, que a WBD continuava a trabalhar para cumprir seu plano de negócios e entregar uma empresa mais forte à Paramount.[160]
Em 6 de agosto, as autoridades britânicas aprovaram a operação. A Paramount firmou obrigações com Nandy que proibiam a união dos serviços lineares e sob demanda por cinco anos, exigiam autonomia editorial nas divisões de notícias e programação infantil e mantinham os compromissos de produção britânica do canal 5.[5] O grupo Block the Merger, contrário à compra, argumentou que as condições reforçavam a ação dos estados norte-americanos.[161]
Possível saída da Califórnia e pedido de caução
Em 11 de agosto, a imprensa noticiou que Ellison discutia transferir a Paramount para fora da Califórnia já em outubro caso Bonta não aceitasse negociar. O procurador-geral chamou a ameaça de chantagem. O WGA argumentou que ela expunha os riscos do poder que a empresa teria sobre roteiristas e outros profissionais.[162][163] Num evento do Politico no dia seguinte, Delrahim afirmou que a empresa deveria considerar seus deveres fiduciários com os acionistas e que, no lugar do governador, não desejaria perder Hollywood ou a Paramount para outro estado.[164][165] A companhia estudava Geórgia, Tennessee e Texas como alternativas.[166]
Em 14 de agosto, as autoridades mexicanas aprovaram a compra. A Paramount voltou a pedir um acordo nos Estados Unidos, alegando que os procuradores-gerais impediam uma operação já autorizada pelo governo federal e por 67 países. Defendeu que a compra permitiria investimentos em Hollywood e beneficiaria trabalhadores e artistas.[167]
Em 17 de agosto, a Paramount pediu que os estados e o WGA prestassem uma caução de US$ 1,88 bilhão para cobrir a compensação pelo atraso e outros custos. Invocou a Lei Clayton e a regra 65(c) das Regras Federais de Processo Civil. O cálculo considerava a data prevista do julgamento. Bonta reiterou a acusação de chantagem e lembrou que as empresas haviam negociado a multa sabendo que enfrentariam investigação regulatória.[168] Os autores também argumentaram que a cobrança dependeria de demonstrar que a liminar fora concedida indevidamente.[169]
Em 24 de agosto, Bonta disse ao TheWrap que retomaria as conversas se a Paramount deixasse de divulgar e distorcer informações confidenciais das negociações. Rejeitou concessões apenas sobre o comportamento da empresa e sugeriu medidas estruturais, como a venda de parte dos canais de televisão por assinatura.[170] A Bloomberg noticiou que bancos e investidores se preparavam para possíveis vendas de ativos. A New Line Cinema e canais individuais despertavam interesse. Uma estimativa atribuía aos antigos canais Turner um valor de pelo menos US$ 8 bilhões.[171][172]
Em 26 de agosto, os procuradores-gerais de Iowa e Montana pediram autorização à Suprema Corte para ajuizar uma ação que suspendesse o processo. Alegaram uma aplicação politizada da legislação por uma minoria de estados, contra uma operação aprovada por autoridades federais e estrangeiras. A procuradora-geral de Iowa, Brenna Bird, defendeu num artigo do The Daily Wire que a Califórnia deveria apresentar sua contestação à corte com autoridade para decidir nacionalmente, antes do vencimento das compensações pelo atraso.[173][174]
A audiência sobre a caução foi marcada para 24 de setembro. Em 31 de agosto, os autores contestaram o pedido, argumentando que recursos públicos e de um sindicato sem fins lucrativos não deveriam financiar obrigações assumidas voluntariamente pelas empresas. Advertiram que a cobrança incentivaria contratos com multas elevadas para dificultar a fiscalização concorrencial. Pediram a rejeição ou uma caução simbólica de US$ 10 mil.[175][176]
Em 11 de setembro, o juiz Thomas S. Hixson pediu que as partes participassem de uma conferência de conciliação de dois dias, depois marcada para 14 e 15 de outubro.[177][178] Em 12 de setembro, o Politico obteve um estudo encomendado pela Paramount ao Instituto de Economia Aplicada da Los Angeles County Economic Development Corporation. O estudo estimava que a saída completa da empresa custaria entre 29 mil e 58 mil empregos-ano em tempo integral na Califórnia e entre US$ 10,6 bilhões e US$ 21,2 bilhões em produção econômica.[166] Num documento judicial do mesmo dia, a Paramount alegou que os estados não tinham competência regulatória sobre a fusão, atribuída ao DOJ, que os estúdios enfrentavam concorrência dos serviços de streaming e que as três maiores redes de cinemas do país, AMC, Cinemark e Regal, apoiavam a aquisição.[179]
Em 15 de setembro, o DOJ apoiou o pedido de caução. Argumentou que a legislação exigia um valor adequado para compensar os prejuízos de uma liminar concedida indevidamente e lembrou a aprovação federal da compra.[169][180] No dia seguinte, Bonta e a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, informaram que a Paramount havia renovado a ameaça de deixar a Califórnia.[181]
Acordo judicial e condições
Em 18 de setembro, o Wall Street Journal noticiou negociações avançadas entre a Paramount e a Califórnia, com base em informações de pessoas não identificadas.[182][183][184] Em 20 de setembro, o jornalista Brian Stelter, da CNN, informou que pelo menos quatro procuradores-gerais, entre eles Letitia James, de Nova York, e William Tong, de Connecticut, pediam condições adicionais. Uma delas era manter a CNN separada e editorialmente independente da CBS News.[185] O TheWrap noticiou a discussão de um regime que permitiria concluir a compra sem integrar as operações enquanto a ação estivesse pendente, reduzindo a compensação pelo atraso.[186] Outras propostas compreendiam a venda de canais, a operação independente dos dois estúdios de cinema e um conselho para acompanhar os compromissos de produção e a independência da CNN.[186][187][183]
Em 21 de setembro, a Paramount anunciou um acordo com a Califórnia e o WGA que permitiria a compra. Ellison previu sua conclusão em aproximadamente duas semanas.[188][189][190] O acordo judicial teria duração de cinco anos e estabelecia as seguintes condições:[191][192][193]
- Lançar 30 filmes por ano nos dois primeiros anos e pelo menos 32 por ano nos três seguintes.
- Pelo menos 20% dos filmes deveriam ter orçamento de US$ 50 milhões ou mais. Haveria pelo menos 20 lançamentos amplos por ano nos dois primeiros anos e 21 nos três seguintes. No mínimo metade dos filmes deveria ser produzida pela empresa ou em coprodução, e pelo menos quatro seriam filmes independentes.[194]
- Cada filme abaixo da quota geraria uma multa de US$ 30 milhões, dividida entre o Motion Picture & Television Fund, a National Association of Attorneys General e fundos de saúde e aposentadoria dos sindicatos. Se a quota não fosse cumprida após seis meses adicionais, a empresa teria de vender sua participação na Miramax.[195]
- Os filmes deveriam respeitar janelas de 45 dias nos cinemas e 90 dias antes de chegar ao vídeo sob demanda por assinatura.
- Acrescentar pelo menos US$ 300 milhões anuais aos gastos com produção nos Estados Unidos em relação a 2025, totalizando US$ 1,5 bilhão adicional em cinco anos.[194]
- Se os Estados Unidos aprovassem um crédito tributário federal para filmes de pelo menos 20%, sem teto financeiro, ao menos 20% dos dias de produção deveriam ocorrer no país nos dois primeiros anos e 30% nos três seguintes. Se Califórnia ou Nova York também aprovassem um crédito estadual de pelo menos 43%, sem teto e cumulativo com o federal, a quota subiria para 40%.[194]
- Investir pelo menos US$ 5 milhões por ano num fundo para aquisição de filmes independentes.
- Investir ao menos US$ 9,5 milhões anuais em formação e desenvolvimento profissional para trabalhadores demitidos diretamente em razão da fusão.
- Manter separados os complexos de estúdios da Paramount e da Warner Bros.
- Cumprir condições sobre cobranças e contratos com exibidores, preservando durante os três primeiros anos condições contratuais tão favoráveis quanto as anteriores à compra.[194]
- Criar um conselho de independência editorial para acompanhar a CBS News e a CNN, com princípios de exatidão, independência, imparcialidade e integridade jornalística derivados das normas das duas organizações. O conselho seria formado principalmente por jornalistas experientes, escolhidos pelo conselho de administração.[196]
- Negociar separadamente a distribuição dos canais da Paramount e da WBD, com restrições à alteração de contratos e ao uso de informações confidenciais obtidas de operadoras nas negociações dos canais da outra empresa.
- Violações poderiam resultar na venda de canais Black Entertainment Television, Comedy Central, Destination America, Discovery Science, Smithsonian Channel e VH1.
- Manter os níveis de serviço e qualidade da Pluto TV iguais ou superiores aos anteriores à compra.
- Pelo acordo separado com o WGA, não demitir roteiristas da CBS News durante cinco anos, pagar os honorários advocatícios do sindicato e destinar US$ 17,5 milhões ao seu fundo de saúde.[197]
A audiência para examinar os termos foi marcada para 24 de setembro.[198] Bonta afirmou que o acordo não constituía apoio à fusão, mas garantia benefícios superiores aos obtidos na compra da Fox pela Disney. Defendeu a solução negociada.[191] As vendas de ativos propostas anteriormente ficaram previstas como penalidades por descumprimento, sem aplicação imediata.[191][192][193] Newsom negou ter pressionado as partes, embora tenha dito que ele, Bass, Xavier Becerra e outros preferiam resolver a disputa por negociação.[198]
Em 24 de setembro, o tribunal autorizou o Block the Merger a apresentar manifestações como terceiro interessado contra o acordo. O grupo considerava as condições fracas e inexequíveis, sem proteção suficiente para trabalhadores, jornalistas e consumidores. A Paramount se opôs, argumentando que novos documentos prolongariam a audiência e gerariam dezenas ou centenas de milhões de dólares em compensações, sem acrescentar informações.[199][200] Booker pediu uma análise independente do interesse público, observando a ausência de uma avaliação formal dos efeitos concorrenciais e de uma fase de participação de exibidores, distribuidores, trabalhadores e consumidores.[201]
O Block the Merger e a League of United Latin American Citizens, ou LULAC, apresentaram objeções. O primeiro afirmou que 30 filmes eram menos do que os estúdios planejavam lançar separadamente em 2027 e que a empresa ainda poderia usar HBO, Showtime, HBO Max, Paramount+ e CBS para obter preços maiores nas negociações dos canais básicos. A LULAC apontou falhas quanto à perda de qualidade, diversidade e pluralidade de opiniões.[202][203] Em 30 de setembro, Martínez-Olguín aprovou o acordo, considerando-o uma solução factual e jurídica razoável. A Paramount informou que pretendia concluir a aquisição em 6 de outubro.[7] Também anunciou Ynon Kreiz, que deixava a Mattel, como codiretor executivo responsável pela integração e pelas operações diárias.[204] Em 2 de outubro, Ellison anunciou o nome Skydance Corporation para a empresa resultante.[205] A aquisição foi concluída em 6 de outubro.[206]
Reações do governo e do setor
Setor audiovisual
A Cinema United advertiu que a concentração empresarial poderia reduzir os lançamentos nos cinemas e aumentar o poder dos estúdios nas negociações com exibidores.[43][45][207] O cineasta James Cameron apoiou a proposta da Paramount. Considerava a Netflix pouco comprometida com os cinemas e chamou uma eventual compra pela plataforma de "desastre".[208][209]
O senador Adam Schiff e a deputada Laura Friedman pediram informações sobre produção nos Estados Unidos, empregos sindicalizados, proteções no uso de inteligência artificial e concorrência. Fixaram 15 de fevereiro de 2026 como prazo para as respostas, para examinar os efeitos das duas propostas sobre os trabalhadores.[210]
Roy Price escreveu que a compra pela Netflix poderia diminuir a produção e restringir a diversidade das narrativas, concentrando as decisões numa organização ou pessoa.[211] Defendeu a Paramount porque considerava que ela e a WBD gastavam o suficiente para perder dinheiro no streaming, mas não para vencer os concorrentes. Em sua avaliação, a combinação permitiria investir mais em conteúdo, ampliar a produção e remunerar os profissionais, com mais empresas capazes de disputar o mercado.[212]
Em 13 de fevereiro, Stuart Ford, presidente da AGC Studios, criticou a proposta da Netflix num discurso no European Film Market, em Berlim. Argumentou que a união de estúdio e plataforma poderia reduzir a participação de produtores e artistas nas receitas e os pagamentos por reutilização das obras. Admitiu que compromissos mais firmes com os cinemas poderiam aliviar parte das preocupações.[213]
Em 18 de fevereiro, Sean Gamble, diretor executivo da Cinemark, pediu garantias mais firmes de que a Netflix manteria as janelas de exibição, considerando o histórico da empresa. Disse que a Cinemark, diretamente e por meio da Cinema United, mantinha contato com as empresas e os reguladores para defender períodos exclusivos nos cinemas. Afirmou que os exibidores esperavam que a Netflix reconhecesse o valor desse modelo, já adotado por Amazon e Apple.[214]
Antes da votação de abril, mais de 5 mil atores e profissionais assinaram uma carta aberta divulgada pelo WGA, pelo Committee for the First Amendment, pelo Democracy Defenders Fund e pela Future Film Coalition. Alegavam que a compra pela Paramount favoreceria um pequeno grupo de acionistas e prejudicaria a integridade, a independência e a diversidade do setor.[215] Mark Ruffalo afirmou que muitos profissionais temiam assinar a carta.[216] A Paramount reiterou os compromissos de 30 filmes anuais e autonomia criativa das marcas. Defendeu que a aquisição permitiria financiar mais projetos, apoiar artistas e levar as obras a mais públicos, fortalecendo a concorrência.[217]
Em 14 de abril, a imprensa noticiou que a Paramount havia retirado publicidade do The Ankler depois que o colunista Richard Rushfield foi visto com uma sacola de bottons do Block the Merger na CinemaCon.[218] Em maio, Bob Wieckowski defendeu que a compra não deveria prejudicar os preços ou a concorrência e que seu bloqueio deixaria o mercado nacional mais fraco, com menos produções, investimentos e empregos na Califórnia.[219]
Entre 6 e 16 de junho, o American Economic Liberties Project, o Committee for the First Amendment, o Democracy Defenders Action, a Future Film Coalition e o WGA promoveram manifestações intituladas "Main Street vs. The Merger" em três cidades. Os encontros ocorreram no Lumiere Cinema, em Los Angeles, na sede do WGA East, em Nova York, e no Plaza Theater, em Atlanta.[220]
Em 27 de julho, Benedict Cumberbatch, Alan Cumming e Benedict Wong publicaram um artigo no The Guardian pedindo a intervenção do governo britânico. Argumentaram que a operação prejudicaria trabalhadores, o público e a cultura do país.[221][222] Em 29 de julho, Adam Aron, diretor executivo da AMC, defendeu a compra num artigo da Variety. Alegou que os estúdios precisavam de maior escala para competir com as empresas de tecnologia e elogiou o compromisso de Ellison com os cinemas.[223] Eduardo Aznar, da Regal, e a Cinemark também apoiaram a operação e pediram um acordo, afirmando confiar nas promessas de Ellison e recear a incerteza de uma disputa judicial prolongada.[224][225] A Cinema United pediu que a Califórnia e a Paramount examinassem todas as possibilidades de negociação.[226]
Em agosto, Ari Emanuel, presidente executivo do William Morris Endeavor, criticou a ação da Califórnia num artigo do Wall Street Journal. Alegou que ela ignorava concorrentes em crescimento, como A24, Amazon MGM Studios, Lionsgate, Netflix, YouTube e os videogames. Em sua avaliação, a intervenção política distorcia a função da legislação concorrencial.[227][228]
Em 1 de setembro, Tom Cruise apoiou a fusão no The Pat McAfee Show. Elogiou o plano de lançamentos de Ellison e pediu que Hollywood o apoiasse, por considerar que a ampliação da produção daria mais oportunidades a roteiristas, diretores, produtores e artistas.[229][230]
A possibilidade de um acordo judicial recebeu críticas de Elizabeth Warren, do Block the Merger e de Ruffalo. Warren questionou a decisão de facilitar a fusão enquanto Donald Trump tentava excluir a CNN da Casa Branca. O Block the Merger considerou o acordo prejudicial a trabalhadores, jornalistas e consumidores e alegou que compromissos sem mecanismos de execução beneficiariam apenas Ellison.[231][232][232]
Ações de consumidores
Em abril de 2026, clientes de streaming ajuizaram uma ação para impedir a compra, alegando risco de aumento de preços e perda de pluralidade de opiniões.[233][234] Em 4 de junho, a Paramount pediu a rejeição da ação por considerar insuficientes as provas de prejuízo à concorrência.[235] Em julho, Martínez-Olguín recusou a liminar pedida pelos consumidores. Entendeu que eles não haviam apresentado provas suficientes da probabilidade de êxito ou de dano irreparável.[236][237]
Governo
Reações políticas e parlamentares
Conservadores norte-americanos favoreceram a proposta da Paramount em razão do apoio de David e Larry Ellison a Donald Trump.[238] Acusaram a Netflix de usar sua posição de mercado para promover ideias de esquerda e progressistas nos Estados Unidos e no exterior.[239][240] Em 11 de janeiro de 2026, Trump compartilhou no Truth Social um artigo da One America News Network que acusava a empresa de impor uma visão ideológica e silenciar opiniões divergentes. Nas audiências, parlamentares republicanos criticaram a Netflix por promover propaganda, diversidade, equidade e inclusão e ideias que chamavam de woke.[241]
Financiamento estrangeiro
A oferta da Paramount recebeu US$ 24 bilhões de fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.[242][243] Um documento da operação informava que esses investidores e a Affinity Partners abririam mão de direitos de gestão e de representação no conselho.[244] A família Ellison e a RedBird Capital Partners permaneceriam como únicas titulares de ações de classe A, com todos os direitos de voto.[110][244] A Paramount afirmou que essa estrutura dispensaria a análise pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos, ou CFIUS. O documento também informava que a Tencent havia retirado seu financiamento para evitar uma possível análise do comitê.[110][245] A FCC ainda precisaria examinar o financiamento, porque a Paramount detinha licenças de radiodifusão. A Lei de Comunicações de 1934 exige autorização para uma participação estrangeira superior a 25%, e a compra elevaria essa participação a 49,5%.[110]
Questionado sobre Jared Kushner, cuja Affinity Partners financiava a oferta, Trump afirmou que não havia discutido o assunto com ele e que Kushner estava concentrado em Gaza.[246][247] Integrantes do governo haviam dito à CNBC que viam a proposta da Netflix com forte reserva.[248] A Affinity retirou-se em 16 de dezembro de 2025.[249]
Em 14 de janeiro de 2026, o deputado democrata Sam Liccardo pediu que a Paramount submetesse qualquer compra da WBD a uma avaliação da participação estrangeira, mesmo sem obrigação legal. Numa carta a Ellison, defendeu que uma análise voluntária daria garantias sobre segurança nacional, privacidade de dados e interferência externa.[250]
Em 23 de março, senadores democratas liderados por Cory Booker pediram à FCC uma avaliação completa e independente. Destacaram os investimentos chineses e dos países do Golfo Pérsico, com relações e interesses por vezes divergentes dos norte-americanos.[251]
Em 27 de abril, a Paramount pediu à FCC autorização para a participação estrangeira, alegando que os recursos eram necessários para competir na radiodifusão e no mercado audiovisual. Reafirmou que os investidores não teriam voto.[110][252] Em 20 de maio, a Comissão de Comércio, Ciência e Transportes do Senado cobrou uma análise rigorosa do presidente da FCC, Brendan Carr, devido ao investimento de fundos de países hostis à liberdade de imprensa.[253]
Em 17 de setembro, a FCC concedeu a autorização, entendendo que ela atendia ao interesse público. Exigiu uma nova autorização para mudanças nos direitos de voto dos investidores estrangeiros abrangidos pela decisão ou caso a participação estrangeira com voto ultrapassasse 25%.[252] Anna M. Gomez, única comissária democrata, criticou a decisão. Advertiu que uma participação financeira dessa dimensão daria a governos repressivos poder indireto sobre a produção e a cobertura jornalística da empresa.[254]
Governo Trump e independência editorial
O The Wall Street Journal noticiou que Larry Ellison telefonou a Trump após o anúncio do acordo com a Netflix e alegou prejuízo à concorrência. Antes da oferta hostil da Paramount, David Ellison foi a Washington e prometeu mudanças na CNN a integrantes do governo. Larry Ellison teria discutido a substituição de apresentadores criticados por Trump.[255] O presidente afirmou que a CNN deveria integrar a aquisição e chamou seus dirigentes de corruptos ou incompetentes.[256][257] Trump havia processado veículos de imprensa e seus governos haviam retirado credenciais de jornalistas, entre eles profissionais da CNN.[258] A proposta da Paramount abrangia o canal, enquanto a da Netflix o excluía.[259]
Antes do Prêmio Kennedy, em 7 de dezembro de 2025, Trump disse que a participação de mercado da Netflix após a compra poderia ser um problema e que participaria da decisão. Elogiou Sarandos e sua gestão. A cerimônia era transmitida pela CBS. A NBC News observou que presidentes norte-americanos raramente interferiam diretamente em processos concorrenciais.[260][261][262][263]
Em entrevista à CNBC em 8 de dezembro, David Ellison sugeriu unir a CNN à CBS News, incorporada à Skydance na fusão com a Paramount Global, concluída em 7 de agosto de 2025. Antes daquela operação, a Paramount Global pagou US$ 16 milhões para encerrar uma ação de Trump sobre a edição de uma entrevista no 60 Minutes. O pagamento foi interpretado como uma tentativa de facilitar a aprovação da FCC, necessária pelas 28 licenças de radiodifusão da empresa.[264][265] Após a compra, Ellison nomeou Kenneth R. Weinstein, ex-dirigente do Laboratório de ideias conservador Hudson Institute, como ouvidor da CBS News, contratou Bari Weiss como editora-chefe e adquiriu sua publicação, The Free Press. Também encerrou as iniciativas de diversidade, equidade e inclusão. Pessoas da divisão que não se identificaram interpretaram as mudanças como resposta às críticas de Trump. Carr disse que a FCC provavelmente não analisaria a proposta da Netflix, pois nenhuma das empresas detinha licenças de radiodifusão.[266][267]Predefinição:Nota
Na entrevista à CNBC, Ellison afirmou ser grato por sua relação com Trump e acreditar no compromisso do presidente com a concorrência.[268] Trump também havia articulado a compra de uma participação no TikTok por Larry Ellison, no cumprimento da lei de venda ou proibição de aplicativos controlados por adversários estrangeiros, aprovada em 2024. A Divisão Antitruste do DOJ e a Comissão Federal de Comércio, ou FTC, compartilham competências na análise de fusões e aquisições.[269][270] A Paramount apresentou os documentos exigidos aos dois órgãos em 8 de dezembro.[271] Em 12 de dezembro, Trump comprou títulos de dívida da WBD e da Netflix, avaliados em até US$ 500 mil de cada empresa.[272]
Em 4 de fevereiro de 2026, Trump disse a Tom Llamas, da NBC News, que deixaria a análise com o DOJ. Reconheceu a disputa entre as empresas e as dúvidas sobre a dimensão que uma delas alcançaria, mas recuou da promessa de intervir.[261][260] Em 13 de março, o secretário de Defesa Pete Hegseth criticou a cobertura da CNN sobre a guerra do Irã e disse esperar que David Ellison assumisse o canal o quanto antes.[273]
Em 8 de maio, a Freedom of the Press Foundation e os Repórteres sem Fronteiras pediram acesso a livros e documentos da Paramount, conforme a legislação de Delaware. Pretendiam investigar acusações de concessões ao governo para acelerar a aprovação da compra.[274] Em 12 de maio, Jamie Raskin e Frank Pallone, deputados democratas, pediram a Ellison informações sobre doações a Trump e eventuais promessas de mudanças na CNN em troca de aprovação mais rápida.[275]
O procurador-geral Todd Blanche, ex-advogado de Trump, afirmou ter participado da decisão do DOJ de aprovar a operação.[276] Em 15 de julho, um acionista da Paramount processou David e Larry Ellison, acusando-os de oferecer vantagens privadas ilegais a Trump, entre elas a demissão de apresentadores da CNN, para obter a autorização.[277] A Paramount respondeu que a ação repetia acusações já discutidas e negou compromissos sobre o futuro da CNN ou de outras operações jornalísticas com governos, órgãos federais ou procuradores-gerais.[278] Em 6 de outubro, após a conclusão da compra, Trump elogiou a nova empresa.[279]
Audiências e investigações parlamentares
Em fevereiro de 2026, Sarandos e Bruce Campbell, diretor de receitas e estratégia da WBD, depuseram perante o Senado dos Estados Unidos.[280] Embora o Senado não aprovasse diretamente a compra, a audiência permitiu discutir seus efeitos sobre consumidores, trabalhadores e concorrentes.[281] Sarandos prometeu uma janela de 45 dias nos cinemas para os filmes da WBD. Parlamentares dos dois partidos perguntaram sobre concorrência, emprego, distribuição e pagamentos pela reutilização de obras. Sarandos afirmou que esses pagamentos eram definidos pelos acordos coletivos negociados pela Alliance of Motion Picture and Television Producers e citou seu crescimento nos anos anteriores. Os senadores também examinaram a concorrência entre plataformas por assinatura e serviços financiados por publicidade, como o YouTube.[282]
Sarandos argumentou que o público utilizava plataformas cada vez mais semelhantes e destacou o crescimento do conteúdo profissional e de longa duração no YouTube e de sua audiência em televisores. Na subcomissão de defesa da concorrência, Mike Lee pediu uma avaliação dos efeitos sobre a contratação de artistas, a distribuição e as escolhas do consumidor, inclusive os riscos de integração vertical. Booker manifestou preocupação com a concentração do setor e a disposição da Netflix de depor publicamente. A empresa informou manter contatos com a Divisão Antitruste, as autoridades concorrenciais da União Europeia e os procuradores-gerais estaduais, e defendeu que a operação ampliaria a concorrência. A audiência não produziu uma conclusão sobre a aprovação, que permanecia em análise naquele momento.[283]
Em 6 de fevereiro, Schiff e Friedman escreveram a Sarandos, Greg Peters e Ellison pedindo compromissos mensuráveis de preservação e criação de empregos em Los Angeles e nos Estados Unidos. Cobraram detalhes sobre as promessas de benefícios aos trabalhadores feitas nas duas propostas. Ellison afirmou que Paramount e WBD manteriam operações separadas e empregos após a compra.[284][285]
Em 12 de fevereiro, Gail Slater deixou o cargo de procuradora-geral adjunta responsável pela Divisão Antitruste. A CBS News noticiou que dirigentes do governo a haviam afastado. Confirmada com apoio dos dois partidos em 2025, Slater era vista por democratas como uma proteção contra interferências políticas. Sua saída ocorreu enquanto a Live Nation Entertainment enfrentava um processo concorrencial e negociava com dirigentes do DOJ fora da divisão. Seu adjunto Mark Hamer também deixou o cargo naquela semana.[286][287]
Em 25 de fevereiro, Sarandos preparou uma visita à Casa Branca para o dia seguinte, para discutir sua proposta.[288] A Axios noticiou depois que o encontro com Trump e seus assessores havia sido cancelado e que Sarandos se reuniu apenas com dirigentes do DOJ.[289]
Estados e municípios norte-americanos
Em fevereiro, procuradores-gerais republicanos de Alabama, Alasca, Iowa, Kansas, Montana, Nebraska, Dakota do Norte, Carolina do Sul, Tennessee, Utah e Virgínia Ocidental escreveram ao DOJ. Argumentaram que a compra pela Netflix poderia concentrar o mercado, reduzir a concorrência, a confiabilidade e a inovação e elevar os preços.[290][291]
Numa entrevista a Jacob Soboroff, da MS NOW, Rob Bonta disse que as notícias sobre uma possível exigência de venda da CNN eram especulações.[292] Em 13 de julho, procuradores-gerais democratas de Arizona, Califórnia, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Óregon e Washington ajuizaram a ação para impedir a compra. Bonta afirmou que a operação reuniria dois dos cinco grandes distribuidores de filmes e dois dos cinco grandes proprietários de canais básicos de televisão por assinatura.[293][294]
Em 31 de julho, Newsom manifestou preocupação com perdas de empregos caso a fusão fosse bloqueada e incentivou uma solução negociada. Em 11 de agosto, Xavier Becerra, candidato democrata ao governo da Califórnia, pediu um acordo,[295] assim como a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, em 20 de agosto.[296] O Departamento de Oportunidades Econômicas do condado de Los Angeles estimou que a fusão eliminaria 15.567 empregos, dos quais 2.495 no condado, e colocaria em risco US$ 4,06 bilhões em produção econômica local e US$ 547 milhões em receitas tributárias.[297][298]
Brasil
Em 8 de julho de 2026, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, ou Cade, aprovou a operação sem restrições. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de julho e ainda estava sujeita a recurso ou à análise pelo tribunal do órgão durante o prazo legal de 15 dias. O exame abrangia a compra da totalidade das ações da WBD pela Paramount e seus efeitos no mercado brasileiro de entretenimento.[299][300]
Investidores
Harris Associates, GAMCO Investors, Ancora Holdings, Pentwater Capital Management e Sachem Head Capital Management participaram da disputa como acionistas da WBD.
Harris Associates e fundos Oakmark
A Harris Associates detinha cerca de 4% das ações por meio dos fundos Oakmark e era a quinta maior acionista durante a disputa. Alex Fitch incentivou a Paramount a elevar a oferta depois do primeiro acordo com a Netflix. Em dezembro de 2025, disse à Reuters que as propostas tinham valor total semelhante, mas que a Netflix oferecia melhores condições contratuais. A Harris poderia apoiar a Paramount se ela resolvesse os problemas da estrutura da compra.[301][302][303]
Após a revisão de 22 de dezembro e a garantia de Larry Ellison, Fitch considerou as mudanças necessárias, mas insuficientes. Pediu um incentivo maior aos acionistas. Na carta de resultados do quarto trimestre de 2025, o Oakmark Fund elogiou as medidas do conselho da WBD para aumentar o valor recebido pelos acionistas e informou que continuaria a acompanhar as negociações.[304][305]
GAMCO Investors
A GAMCO Investors, dirigida por Mario Gabelli, detinha cerca de 5,7 milhões de ações, avaliadas em US$ 160 milhões, ou aproximadamente 5% das participações institucionais fora de fundos de índice. Em 10 de dezembro de 2025, Gabelli disse ao TheWrap que provavelmente aceitaria a oferta da Paramount. Preferia a simplicidade e a certeza do pagamento de US$ 30 por ação em dinheiro à combinação de dinheiro, ações e separação dos canais proposta pela Netflix.[83][84]
Gabelli manteve o apoio nos meses seguintes e discutiu as ofertas no programa Money Movers, da CNBC, em fevereiro de 2026. Quando a WBD considerou superior a proposta de US$ 31 e a Netflix desistiu, disse à NBC News que o conselho finalmente havia feito as contas. Reafirmou que o pagamento em dinheiro oferecia mais valor e certeza aos acionistas.[306][307]
Ancora Holdings
A Ancora Holdings, braço de investimento ativista da Ancora Holdings Group, de Ohio, administrava cerca de US$ 11 bilhões e adquiriu uma participação de US$ 200 milhões na WBD, equivalente a aproximadamente 0,3% da empresa.[308][309] Havia disputado conselhos de empresas como Norfolk Southern, C. H. Robinson Worldwide e Forward Air.[310] Em 3 de março de 2026, o Wall Street Journal a apresentou como uma das investidoras ativistas mais combativas de Wall Street.[311]
Em 11 de fevereiro, anunciou que rejeitaria a Netflix e apoiaria a Paramount, ameaçando substituir conselheiros se a WBD não negociasse. Numa apresentação de 51 páginas, acusou o conselho de aceitar às pressas um acordo inferior e de alto risco. Alegou que a oferta revisada da Paramount poderia atender aos critérios de uma proposta superior e que a incerteza regulatória exigia uma nova avaliação.[312][313]
A ameaça de disputa pelo conselho, somada à pressão da Pentwater e de outros acionistas, antecedeu a retomada das negociações por sete dias. Depois da retirada da Netflix, a Ancora elogiou o resultado e afirmou ter defendido uma transação mais vantajosa e segura para os acionistas e o setor.[91][92][312]
Pentwater Capital Management
A Pentwater, sétima maior acionista da WBD, com aproximadamente 50 milhões de ações, pressionou o conselho a examinar a oferta da Paramount. Em janeiro de 2026, Matt Halbower escreveu ao presidente do conselho, Samuel DiPiazza, acusando os dirigentes de violar seus deveres fiduciários ao recusar a proposta sem análise suficiente. À CNBC, afirmou que a Paramount oferecia maior valor e menos risco regulatório e questionou as dúvidas sobre o financiamento.[85]
Em fevereiro, Halbower confirmou que discutia uma possível candidatura ao conselho numa disputa apoiada pela Paramount. Disse que ela seria desnecessária se os conselheiros cumprissem seus deveres fiduciários. O apoio público da Pentwater e a possibilidade de disputar o conselho ampliaram a pressão sobre os dirigentes, antes da retomada das negociações.[97][98]
Sachem Head Capital Management
A Sachem Head Capital Management informou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, em fevereiro de 2026, que havia mais que dobrado sua participação na WBD no quarto trimestre de 2025, para quase 8 milhões de ações. A posição estava entre suas dez maiores aplicações em ações norte-americanas. A empresa adotava uma estratégia de participação ativa na gestão das companhias investidas. A compra foi interpretada como confiança nos ganhos possíveis com a disputa e no potencial de valorização das ações.[314][315] A Sachem Head não contestou publicamente o acordo com a Netflix nem ameaçou disputar o conselho, mas o aumento de sua participação foi acompanhado pelos investidores durante as negociações.[314][315]
Ativos
Listas complementares: Lista de ativos da Warner Bros. Discovery e Lista de bibliotecas da Warner Bros. Discovery. A Paramount estimou que a combinação geraria aproximadamente US$ 70 bilhões de receitas anuais, US$ 16 bilhões de EBITDA e US$ 10 bilhões de fluxo de caixa, com cerca de 207 milhões de assinantes de streaming. A empresa reuniria estúdios de cinema, televisão e videogames, HBO, HBO Max, DC Studios, redes de televisão, canais e catálogos audiovisuais, além de direitos de transmissão esportiva. A compra também reuniria MTV, Nickelodeon, VH1 e Comedy Central a outros negócios da Warner depois de mais de 40 anos.[316]
Relação de ativos
| Skydance Corporation | |
|---|---|
| Paramount Skydance | Warner Bros. Discovery |
Estúdios da Paramount SkydanceGrupo cinematográfico da Paramount
Grupo de televisão da Paramount
Experiências e licenciamento da Paramount
Entretenimento esportivo da ParamountTelevisão da Paramount SkydanceGrupo de entretenimento da CBS
Canais da ParamountVer também: Paramount Media Networks. Grupo NickelodeonVer também: Nickelodeon Group. Grupo de entretenimento da MTVVer também: MTV Entertainment Group. Showtime NetworksVer também: Showtime Networks.
Grupo BETVer também: BET Media Group.
Canais internacionais da ParamountVer também: Paramount International Networks.
Reino Unido e AustráliaVer também: Paramount Networks UK & Australia.
AméricasVer também: Paramount Networks Americas.
Europa, Oriente Médio, África e ÁsiaVer também: Paramount Networks EMEAA.
Serviços diretos ao consumidor da Paramount Skydance
Outros ativos
|
Warner Bros. EntertainmentVer também: Warner Bros.. Grupo cinematográfico da Warner Bros.
Grupo de televisão da Warner Bros.
Outros ativos
Streaming da Warner Bros.
Home Box Office, Inc.Ver também: Home Box Office, Inc..
TNT Sports internacionalVer também: TNT Sports International.
Experiências e licenciamento da Warner Bros.Ver também: Warner Bros. Discovery Global Experiences.
Canais globaisEntretenimento, documentários e estilo de vida
Notícias e esportes da Warner Bros. Discovery
Operações internacionais da Warner Bros. DiscoveryVer também: Warner Bros. Discovery International.
AméricasVer também: Warner Bros. Discovery Americas.
Ásia e PacíficoVer também: Warner Bros. Discovery Asia-Pacific.
Europa, Oriente Médio e ÁfricaVer também: Warner Bros. Discovery EMEA.
TVN Warner Bros. DiscoveryVer também: TVN Warner Bros. Discovery. Outros ativos
|
Ver também
- Paramount Skydance, empresa compradora
- Warner Bros. Discovery, empresa adquirida
- Skydance Corporation, companhia resultante da aquisição
- Fusões e aquisições, operações de combinação e compra de empresas
- Direito da concorrência, regras aplicáveis à análise do negócio
- Concentração de propriedade da mídia, concentração empresarial no setor de comunicação
- Aquisição da 21st Century Fox pela Disney, outra aquisição entre estúdios de cinema
Notas
Referências
- ↑ 1,0 1,1 {{#invoke:Citar web|web}}
- ↑ 2,0 2,1 {{#invoke:Citar web|web}}
- ↑ 3,0 3,1 3,2 {{#invoke:Citar web|web}}
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Ligações externas
- Conclusão da fusão e criação da Skydance, na Euronews
- Condições impostas pela União Europeia, na Euronews
- "O fim da luta", episódio de Só Fitas, na RTP Antena 3
- Conclusão da aquisição, no Observador
- Comunicado de conclusão da aquisição, da Skydance (em inglês)
- Documento da conclusão enviado à SEC (em inglês)
- Processo M.12278, na Comissão Europeia (em inglês)
- Comunicado da Netflix sobre a revisão de sua oferta (em inglês)
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